Ossobuco

Ossobuco cozido lentamente até a carne desmanchar do osso, com legumes que viram purê e engrossam o molho. Versão final que combina a receita da Paola Carosella (proporção de líquido, técnica e pouco tomate) com a adaptação do Victor (salsão fixo e caldo como opção para um molho mais encorpado). O tutano dissolve no molho e dá sabor. Prato de almoço de domingo, bom com risoto branco ou milanês.

Rende: 4 pessoas · Preparo: 20 minutos · Cocção: 35-40 minutos na pressão (2h30-3h em panela comum) · Descanso: 30 minutos de carne fora da geladeira antes de começar · Total: aprox. 1h30 na pressão · Dificuldade: medio · Tipo: Prato principal · Cozinha: italiana

História

Paola Carosella conta que o ossobuco é um corte transversal da perna traseira do boi e que o nome quer dizer “osso com um buraco” — o buraco é o tutano. No Brasil o corte é muito usado em cozidos, e no cozido pernambucano ele é chamado de chambaril. Ela ensina a receita como uma aula de técnicas (selar, suar os legumes, deglaçar) que servem para qualquer carne de cozimento lento: costela, músculo, rabada.

Ingredientes

Carne

  • 1 kg ossobuco com tutano (cerca de 4 pedaços; cortes menores rendem um cozido ainda mais suculento)
  • a gosto sal refinado
  • a gosto pimenta-do-reino moída na hora
  • farinha de trigo para polvilhar (tradicional, mas dispensável: a carne doura igual e o caldo engrossa pelo colágeno) (opcional)

Legumes e aromáticos

  • 2 cebola branca cortada em pétalas
  • 2 cenoura pequena em pedaços grandes
  • 2 talo de salsão (adaptação do Victor: na receita da Paola é opcional, aqui é fixo)
  • 5 tomate cereja cortado ao meio (pode substituir por 1 tomate fresco em cubos, um pouco de pelati ou 1 colher de extrato; a ideia é só um toque de acidez, não um molho de tomate)
  • 2 dente de alho inteiro, sem picar
  • 1 folha de louro
  • alguns ramos alecrim e sálvia frescos
  • 5 colheres de sopa azeite de oliva (2 para selar a carne, 1 para os legumes, o resto conforme precisar)

Líquido

  • 300 ml vinho tinto seco (pode ser branco, ou água quente com um pouco de vinagre ou suco de meia laranja)
  • aprox. 150 ml água quente (ou caldo de carne/legumes) (só o suficiente para nivelar com a carne; caldo no lugar da água deixa o molho mais encorpado)

Equipamentos

  • panela de pressão (ou panela comum com tampa)
  • peneira pequena para polvilhar a farinha

Modo de preparo

Preparo da carne

  1. Tire o ossobuco da geladeira 30 minutos antes de começar.
    • ⏱ 30 minutos
    • Carne menos gelada doura mais rápido e melhor na panela.
  2. Tempere os dois lados com sal e pimenta-do-reino moída na hora. Se quiser, polvilhe uma camada finíssima de farinha de trigo usando uma peneira.
    • A farinha é tradição: ajuda um pouco a dourar e a engrossar, mas o colágeno do corte faz os dois sozinho.
  3. Aqueça bem a panela de pressão, acrescente 2 colheres de azeite e doure a carne por cerca de 1 minuto e meio de cada lado. Retire e reserve num prato.
    • ⏱ 3 minutos
    • Cozinhe pelo cheiro: tem que ser perfume de carne dourada, não de queimado. Nunca coloque a carne na panela fria — gruda e não doura.

Legumes e molho

  1. Olhe o fundo da panela. Se o azeite escureceu ou está com cheiro amargo, descarte, lave a panela e recomece com azeite novo.
    • O ideal é fundo com crostinhas e azeite ainda claro e perfumado. Amargor aqui contamina o molho inteiro.
  2. Acrescente mais 1 colher de azeite e sue a cebola, a cenoura, o salsão, o tomate e os dentes de alho inteiros com um pouco de sal.
    • Suar, não dourar: os legumes só perdem a rigidez e ficam levemente transparentes. Salgar aqui é a segunda camada de sal.
  3. Junte o louro, o alecrim e a sálvia, misture e volte a carne para a panela (com o líquido que soltou no prato). Aumente o fogo.
  4. Deglaceie com os 300 ml de vinho tinto, raspando o fundo, e deixe ferver em fogo alto por 5 a 7 minutos para o álcool evaporar. Tempere com mais um pouco de pimenta.
    • ⏱ 5-7 minutos
    • A acidez não é enfeite: ela corta o colágeno que gruda no céu da boca e deixa o molho sedoso.
  5. Complete com água quente (ou caldo) só até nivelar com a carne e os legumes — normalmente uns 150 ml.
    • Olhe a panela, não a medida. Panela mais larga precisa de mais líquido; a proporção depende do formato dela.

Cozimento

  1. Feche a panela de pressão e cozinhe por 35 a 40 minutos, até a carne desmanchar do osso. Se ainda não estiver desmanchando, feche e deixe mais um pouco.
    • ⏱ 35-40 minutos
    • Vá cheirando o vapor que sai da panela para garantir que não pegou no fundo.
  2. Em panela comum: tampada, em fogo baixo, de 2h30 a 3 horas.
    • ⏱ 2h30-3h

Dicas e truques

  • sabor O tutano dissolve no molho durante o cozimento e dá um sabor incrível. (nota minha)
  • ingrediente A proporção de osso com tutano em relação à carne é o que rende um cozido suculento — pedaços menores de ossobuco não são piores, pelo contrário.
  • técnica Não precisa picar o alho: ele cozinha inteiro no líquido e, junto com os legumes, desmancha num purê que engrossa o caldo.
  • ingrediente Alecrim, sálvia e louro são ervas resistentes e fáceis de manter num vaso perto da janela; frescas, fazem o prato crescer muito.
  • equipamento Ao ler qualquer receita de cozido, repare na panela usada no vídeo: as medidas de líquido só funcionam se a sua panela tiver formato parecido.
  • técnica As mesmas técnicas (selar, suar os legumes, deglaçar) servem para qualquer corte que peça cozimento lento: costela, músculo, rabada.

Substituições

IngredienteNo lugar deleObservações
vinho tintovinho branco, água quente, água com um pouco de vinagre ou com suco de meia laranjao que importa é o golpe de acidez
tomate cereja1 tomate fresco em cubos, tomate pelati ou 1 colher de extrato de tomatetambém dá para não pôr tomate nenhum
água quentecaldo de carne ou de legumesdeixa o molho mais encorpado; sem ele o colágeno já dá corpo

Variações

  • Versão com mais tomate (1 lata de pelado): vira um cozido mais próximo de carne ao molho de tomate, com o vinho em segundo plano.

Como servir

O clássico é risoto milanês (com açafrão de verdade, não cúrcuma). Risoto branco, purê de batata, macarrão na manteiga ou uma salada verde também vão bem.

Minhas notas

Receita final montada a partir da comparação entre o vídeo da Paola Carosella e a receita própria do Victor. Da Paola vieram a proporção de líquido (nivelar com a carne em vez de medida fixa), o pouco tomate, o alho inteiro, o sal em camadas e as técnicas de selar/suar/deglaçar. Do Victor ficaram o salsão como ingrediente fixo e o caldo como opção no lugar da água.

Fonte

Texto original

Transcrição / texto bruto da fonte

RECEITA DO VICTOR (original)

Ingredientes: 4 pedaços de ossobuco (com tutano); sal e pimenta-do-reino; 2 colheres (sopa) de farinha de trigo; 2 colheres (sopa) de azeite; 1 cebola picada; 1 cenoura picada; 1 talo de salsão picado; 3 dentes de alho; 1 xícara de vinho tinto seco; 2 xícaras de caldo de legumes ou carne; 1 lata de tomate pelado (ou 3 tomates maduros); 1 folha de louro; ramos de tomilho ou alecrim (opcional).

Modo de preparo: 1. Tempere o ossobuco com sal e pimenta e passe levemente na farinha. 2. Sele a carne no azeite até dourar bem. Reserve. 3. Na mesma panela, refogue cebola, cenoura e salsão. 4. Adicione o alho e refogue rapidamente. 5. Deglaceie com vinho tinto e deixe reduzir. 6. Acrescente tomate, caldo e louro. 7. Volte a carne à panela. 8. Cozinhe: panela comum 2h-2h30 fogo baixo; panela de pressão ~45 min. A carne deve ficar extremamente macia, quase desmanchando. Dica: o tutano dissolve no molho e dá sabor incrível.


DESCRIÇÃO DO POST — Paola Carosella, “Ossobuco! Uma receita suculenta com carne!” (YouTube, 29/07/2023)

preparo: aprox. 1:30hs / rendimento: 4 pessoas • 1 quilo de ossobuco • 2 cebolas brancas cortadas em pétalas • 2 cenouras pequenas picadas grosseiramente • 2 talos de salsão (opcional) • 5 tomates cereja cortados (pode substituir por 1 tomate fresco ou pelatti - opcional) • sal refinado a gosto • pimenta do reino moída na hora a gosto • farinha de trigo para polvilhar (opcional) • 2 dentes de alho • 1 folha de louro • ervas frescas (aqui usamos alecrim e salvia) • 5 colheres de sopa azeite de oliva • 300 ml vinho tinto ou branco ou agua quente (pode usar vinho branco, água quente, água com vinagre ou com um pouco de suco de laranja) • água quente qb

MODO DE FAZER: Retire a carne da geladeira 30 minutos antes do preparo. Comece temperando o ossobuco com sal e pimenta do reino. Polvilhe um pouco de farinha de trigo sobre os 2 lados da carne usando uma peneira. Aqueça uma panela de pressão e quando estiver bem quente acrescente 2 colheres de azeite e doure a carne dos 2 lados, por aproximadamente 1 minuto e meio de cada lado, sempre sentindo o cheiro para não deixar queimar. Depois de dourar a carne retire da panela e transfira para um prato. Reserve. Na mesma panela adicione 1 colher de sopa de azeite, a cebola, os talos de salsão, a cenoura, o tomate e um pouco de sal. Quando os legumes estiverem suados e murcharam um pouco (ainda não estão dourados), tempere com um pouco de sal e acrescente o louro e as ervas frescas. Misture, aumente o fogo e coloque a carne de volta na mesma panela. Para deglaçar a carne acrescente o vinho tinto e tempere com um pouco de pimenta do reino. Deixe cozinhar em fogo alto por 5 a 7 minutos para que o álcool do vinho evapore, abaixe o fogo e acrescente um pouco de água quente para que a água cubra a carne e os legumes. Feche a panela com a tampa para dar pressão e deixe cozinhar por aproximadamente 35 a 40 minutos ou até a carne desmanchar. Sirva com o acompanhamento de sua preferência: risoto branco, purê de batatas, macarrão na manteiga ou uma salada fresca. Dica: sem panela de pressão, fogo baixo por 2:30 a 3 horas.

TRECHOS DA TRANSCRIÇÃO

“O ossobuco é um corte transversal da perna traseira do boi. Ossobuco quer dizer: um osso com um buco, que é um buraco. (…) essa coisa maravilhosa aqui no meio é o tutano do boi. Aqui no Brasil, se usa muito o ossobuco para o cozido. E no cozido pernambucano esse mesmo corte chama chambaril ou chambari.”

“Eu gosto da suculência dos cortes de ossobuco quando são um pouquinho menores. (…) A proporção de osso com tutano para a carne vai render um cozido bem suculento.”

“O fato de que a carne não esteja muito gelada na hora de entrar na panela vai ajudar ela a dourar mais rápido, dourar um pouco melhor.”

“Essa camada finíssima de farinha de trigo cumpre duas funções: ajuda a dourar um pouco mais, mas nem tanto. O principal objetivo é que essa farinha ajuda a engrossar o caldo. Honestamente? Dourar, a carne vai dourar igual sem a farinha. E engrossar o caldo, vai engrossar igual sem a farinha, por causa da quantidade de colágeno que esse corte tem.”

“Sempre que eu quero dourar ou selar alguma coisa, primeiro aquece a panela. Não coloca as coisas com a panela fria. Elas vão grudar, vão demorar para dourar ou não vão dourar nunca.”

“O alho vai cozinhar dentro do líquido, junto com o vinho, a água e a carne. E tanto o alho quanto os legumes vão acabar desmanchando, virando um purê, que vai engrossar esse caldo.”

“Cuidado! Cozinha com o nariz. (…) É um cheiro gostoso de carne dourada ou está amargando? Precisa prestar muita atenção. Não somente com os olhos, com o corpo todo.”

“Se estiver queimado, se o seu óleo estiver escuro e se o cheiro não for bom, você não vai refogar os legumes aqui. Você vai lavar a panela, aquecer um pouco mais de azeite e refogar os legumes.”

“Suar é uma expressão. Eu quero que eles não fritem, não dourem. Eu quero que eles percam um pouco a rigidez do legume cru, fiquem ligeiramente transparentes.”

“Um pouco de acidez nesse prato é muito bom, porque a carne tem muita gordura e muito colágeno, o tipo de colágeno que gruda no céu da boca. Então, quando entra um golpe de acidez, como o vinho, um pouco de vinagre ou laranja, você tira esse excesso, e deixa um molho muito sedoso e saboroso.”

“Eu coloquei dois copos de vinho, 300 ml. (…) Agora, eu vou deixar no fogo máximo de cinco a sete minutos, porque eu quero evaporar o álcool (…) e deixar a alma do vinho para cozinhar a carne nesse líquido não tão alcoólico.”

“Todas essas medidas, 300 de vinho, 150 de água, elas funcionam e têm uma relação com o tipo de panela. Se a sua panela é muito mais larga, o líquido vai ficar muito mais embaixo da carne. Sempre que você esteja lendo uma receita, presta atenção: eu tenho uma panela parecida?”

“É importante que vocês fiquem cheirando o vaporzinho que sai da panela de pressão, para ver que ela não pegou no fundo.”

“Para servir, um clássico para o ossobuco é o risoto milanês. O risoto milanês se faz com açafrão. Não com cúrcuma, açafrão da terra.”